Direito Processual

Quesitos em Perícia Judicial: O Que São, Tipos e Como Responder Corretamente

Descomplica Perícias  ·  Atualizado em 2025  ·  9 min de leitura

Para muitos médicos que recebem a primeira intimação de nomeação, os quesitos são o primeiro grande susto. O documento chega com uma série de perguntas técnicas formuladas pelos advogados das partes — e o médico precisa responder cada uma delas no laudo, com precisão jurídica e técnica ao mesmo tempo.

Entender o que são quesitos, como funcionam e como respondê-los corretamente é fundamental para que o laudo seja homologado e o perito não seja substituído ou multado.

O que são quesitos em perícia judicial?

Quesitos são perguntas técnicas formuladas pelas partes do processo — autor, réu e ocasionalmente o próprio juiz — que o perito deve responder no laudo pericial. Eles são o principal instrumento que as partes têm para direcionar a análise técnica do perito para os pontos relevantes do processo.

O fundamento legal está no Art. 465, §1º do CPC, que estabelece o prazo para apresentação de quesitos após a intimação de nomeação do perito.

📌 Definição direta: Quesito = pergunta técnica que o perito precisa responder no laudo. Cada parte pode apresentar seus quesitos. O perito responde a todos, sem exceção.

Tipos de quesitos: iniciais e complementares

Quesitos iniciais

São os quesitos apresentados antes da realização da perícia, junto com a intimação de nomeação. Os advogados de cada parte formulam suas perguntas e as enviam ao juízo, que as repassa ao perito. Esses quesitos direcionam o que o perito deve investigar e responder no laudo principal.

Exemplo — Processo trabalhista

"O periciando apresenta sequela permanente decorrente do acidente de trabalho descrito nos autos? Em caso afirmativo, qual o grau de comprometimento funcional e qual a relação causal com as atividades laborais descritas?"

Quesitos complementares (esclarecimentos)

Após a entrega do laudo, as partes podem apresentar quesitos complementares — também chamados de pedidos de esclarecimento. São perguntas adicionais sobre pontos do laudo que ficaram obscuros ou que as partes querem aprofundar.

O prazo para responder os esclarecimentos é determinado pelo juiz. Não responder no prazo é uma das infrações mais comuns do Art. 468 do CPC e pode resultar em substituição do perito.

Exemplo — Quesito complementar

"O Sr. Perito afirma no laudo que há comprometimento funcional de 30%. Solicita-se esclarecer qual metodologia e tabela de referência foram utilizadas para quantificar esse percentual."

Quesitos do juiz

O próprio juiz pode formular quesitos de ofício quando entende que há pontos técnicos não cobertos pelos quesitos das partes que são relevantes para o julgamento. O perito responde com a mesma formalidade dos demais.

Como responder quesitos corretamente?

1. Responda todos, sem exceção

Todo quesito que consta nos autos deve ser respondido. Ignorar um quesito — mesmo que pareça irrelevante ou já respondido implicitamente no laudo — é motivo para devolução do laudo e pode ser interpretado como negligência pelo juízo.

2. Mantenha-se no campo técnico

O perito não emite juízo de valor jurídico. Se um quesito pede uma conclusão jurídica, o perito responde a parte técnica e anota que a conclusão jurídica cabe ao juízo. Isso protege o perito e mantém a integridade do laudo.

3. Seja objetivo, mas completo

Respostas vagas como "possivelmente" ou "não é possível determinar" sem justificativa técnica enfraquecem o laudo. Se não for possível determinar algo, explique o motivo técnico com clareza e fundamentação.

4. Cite a fundamentação técnica

Referências a literatura médica, tabelas de incapacidade reconhecidas e metodologias validadas fortalecem a resposta e dificultam a impugnação do laudo pelas partes.

⚠️ Erro grave: Responder quesitos sem ter feito o exame correspondente, ou com base em documentos que não estão nos autos, é falsa perícia — com implicações éticas e legais gravíssimas para o médico.

Quando o perito pode recusar um quesito?

O perito pode — e deve — sinalizar ao juízo quando um quesito está fora do escopo técnico da perícia, pede uma conclusão jurídica e não técnica, é impertinente ou meramente protelatório, ou extrapola os limites da especialidade médica do perito.

Nesse caso, o perito não simplesmente ignora o quesito — ele deve apresentar manifestação formal ao juízo explicando o motivo. Fazer isso por conta própria, sem orientação jurídica, é um dos momentos de maior risco para o médico perito.

Quesitos e o prazo: onde mora o risco real

Os quesitos complementares são a principal armadilha de prazo para médicos peritos. Diferentemente do laudo principal — cujo prazo costuma ser mais dilatado — os esclarecimentos geralmente têm prazos curtos determinados pelo juiz, frequentemente entre 5 e 15 dias úteis.

O médico que não monitora ativamente os autos pode simplesmente não perceber que um prazo de esclarecimento foi fixado — e incorrer nas sanções do Art. 468 do CPC sem ter cometido nenhum erro técnico no laudo.


Resumo: o que o médico perito precisa saber sobre quesitos

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